
"Eu que não sei quase nada do mar..."
(Ana Carolina)
(Ana Carolina)
Sempre que amei, mergulhei de cabeça. Assim, sem bóia, sem touca, sem roupa especial, sem conferir se havia algum salva-vidas por perto. Afinal, a gente mergulha para sentir a água, para sentir o mar, não para evitar o mar. Do mesmo modo ninguém ama para evitar amar, o medo de amar é o oposto do amor. É que nunca me satisfez ficar na beira da praia, molhanda apenas os pés e vendo as ondas passarem, eu sempre precisei fazer parte, estar dentro, me deixar levar. A segurança em um mar de amor não está fora, não está em nada que se compra, em nada que se use, está apenas em estar dentro, disponível, nadando, amando, respirando. É claro, é preciso saber nadar, saber amar, o que só se aprende nadando, amando....
Eu, que muitas vezes tentei me aproximar de você, que te cuido enquanto você nada, não recebi nada, não em troca, mas como motivo para descobrir algum sentido para continuar aqui. Tenho a séria mania de gostar de nadar com as pessoas que eu amo, e não de observá-las desbravando oceanos. Sigo junto, sem ter medo e sem pensar nas consequências, mergulho de cabeça, nada raso me permite nadar. Meu estilo é me entregar nas relações.
Mas você tinha medo, não de amar, não de nadar, mas de me amar, de nadar comigo. Segurei tua mão e pedi que viesse comigo, que me ensinasse, eu queria aprender a nadar com você. Mas você com seu medo preferiu não se envolver. O que você não percebeu é que você se foi, mas eu continuei ali, nadando, e levou algum tempo para que eu percebesse meu sonho solo, meu nado desincronizado de um coração agonizado. Doeu, machucou, alguma parte em mim se foi. E, se não era a sua intenção eu me afogar, então, por que soltou a minha mão?
Meu querido, eu não queria, mas você quis não me querer. Sua escolha foi alguma que eu ainda não sei, foi talvez a aparência, a tranquila comodidade de quem não encara que a calma do mar vem do som feito pela força da correnteza. É preciso correr o risco, é preciso apostar, é preciso mergulhar, é preciso amar, é preciso nadar.
Eu preciso seguir a correnteza e, antes de tudo, lhe desejar coragem para viver um amor. Te desejo agora a essência, a entrega para deixar a covardia, a vontade de querer ser mar, de saber amar. Nunca deixe de tentar por não saber o que vai ser, com medo de deixar de ser. Algumas amizades precisam virar amor, pois o rio precisa virar mar. Mar que não sabe de onde vieram todas as águas que por ele correm, nem conhece o destino certo delas depois que chegam, mas ainda assim está lá, sendo mar, deixando de ser rio, preenchendo um vazio simplesmente por abrigar. Pode ser assim pra mim, começar sem motivo, terminar sem se perceber.
Eu não sabia bem nadar no seu mar e acho que errei esperando que você me ensinasse. Como esperar amor de quem ama o mar e não quem nada nele ao seu lado?
"Amor, você me manteve vivo. Enquanto eu estava na água, eu fiz um trato com Deus. Se Ele me deixasse ver seu rosto mais uma vez, nunca mais pediria nada a Ele. Bom, Ele cumpriu a parte Dele e eu vou cumprir a minha, irei embora sem pedir nada..."
(Pearl Harbor - 2001)
Cris
ResponderExcluirOi, mila
Há mto não comento, mas estou sempre aqui e seus textos sempre perfeitos.
mas hj estou aqui não só pra te elogiar,
Alan
ResponderExcluirSabia que pra nadar bem, é preciso entregar seu corpo à densidade da água? As pessoas que se afogam, geralmente, entram em pânico, contraem todos os músculos e acabam afundando.
Para o bem ou para o mal, no âmbito afetivo, eu também sou do tipo que se lança sem reservas. E isso tem me custado muito caro. Mesmo assim, minha crença é que, se é pra ser feliz, tem que ser feliz MESMO! e se é pra sofrer, sofra até a última gota!
Mas não julgo aqueles que se limitam a molhar apenas os pés. Motivos eles têm.